Vidro Low-E: o que é e porquê
A tecnologia invisível que trava a perda de calor, presente em praticamente todas as janelas eficientes hoje.
O que significa Low-E
Low-E significa low emissivity, baixa emissividade. É uma película microscópica de óxidos metálicos aplicada numa das faces do vidro, invisível a olho nu, que deixa entrar a luz e o calor do sol normalmente, mas reflete de volta para dentro de casa o calor que o interior já gerou (do aquecimento, do corpo, dos eletrodomésticos).
No inverno, o efeito é: o calor que já está lá dentro custa mais a sair. No verão, combinado com vidro de controlo solar, ajuda a manter o calor exterior do lado de fora.
Hard-coat vs soft-coat: dois processos, dois resultados
Nem todo o Low-E é igual. O processo de fabrico determina a emissividade final e onde o revestimento pode ser montado:
Quanto mais baixa a emissividade, mais o vidro reflete o calor infravermelho de volta, e mais baixo fica o Ug (isolamento do vidro). O soft-coat é a base da maioria dos vidros de alta eficiência instalados hoje em janelas residenciais.
Em que face fica o revestimento
Num vidro duplo, as faces contam-se sempre de fora para dentro. É a convenção usada por qualquer fabricante ou ficha técnica:
Exterior
Face voltada para a rua. Recebe sol e chuva diretamente.
Interior da folha exterior
Face voltada para a câmara de gás, do lado de fora. Posição comum para controlo solar.
Exterior da folha interior
Face voltada para a câmara de gás, do lado de dentro. Onde vai o Low-E soft-coat na maioria dos vidros duplos de clima temperado, protegido dentro da câmara selada.
Interior
Face voltada para dentro de casa. Onde toca a mão.
Porque isto importa: um soft-coat exposto na face 1 ou 4 degrada-se rapidamente com a limpeza e a humidade. Por isso vai sempre na face 2 ou 3, protegido dentro da câmara selada. É um detalhe técnico que separa um fabrico cuidado de um genérico.
Porque é que o árgon soma isolamento
Entre as duas folhas de um vidro duplo há uma câmara de gás. Substituir o ar comum por árgon reduz a condutividade térmica dessa câmara, o árgon é um gás mais "preguiçoso" a transportar calor do que o ar normal. Junto com o Low-E. É isto que trava a perda de calor pela janela. O desempenho térmico do vidro sozinho (Ug) é calculado segundo a norma EN 673, e as propriedades óticas e solares (incluindo o fator solar) segundo a EN 410.
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Ug, Uf e Uw: três números, três coisas diferentes
É frequente ver estas três siglas trocadas, mas medem coisas distintas:
- Ug: isolamento só do vidro (glass), medido segundo a EN 673. É o número que mais melhora com Low-E e árgon.
- Uf: isolamento só do caixilho/perfil (frame), calculado segundo a EN ISO 10077-2. Varia muito entre PVC, alumínio simples e alumínio com corte térmico.
- Uw: isolamento da janela completa (window), a média do Ug e do Uf ponderada pela área de cada um, segundo a EN ISO 10077-1. É este o número que a lei portuguesa regula, e o que realmente sente em casa, uma janela com vidro excelente mas caixilho fraco não cumpre por si só um bom Uw.
Consequência prática: em janelas pequenas, o caixilho pesa proporcionalmente mais na área total, por isso vidro Low-E de topo compensa menos numa janela pequena com perfil fraco do que numa janela grande com bom caixilho. A SCE (Sistema de Certificação Energética dos Edifícios) publica o guia de consumo "Janelas Eficientes", uma referência independente para comparar o desempenho de diferentes soluções de vidro e caixilho.
Fator solar: o outro número que importa
O fator solar (g ou g-value) mede a fração de energia solar que atravessa o vidro e aquece a divisão. É uma medida completamente distinta do Uw. Um vidro pode ter um Uw excelente (isola bem do frio) e um g-value alto (deixa entrar muito calor solar), o que é ótimo numa fachada norte fria mas pode ser um problema numa fachada sul ou poente muito exposta, onde sobe o risco de sobreaquecimento no verão.
A Portaria 138-I/2021 (que regulamenta o DL 101-D/2020) define limites máximos de fator solar por zona climática de verão (V1, V2 e V3), mais exigentes nas zonas mais quentes de Portugal. Especificamos o vidro por fachada, não como um único vidro genérico para a casa toda, para equilibrar isolamento de inverno e controlo solar de verão consoante a orientação e exposição de cada vão.
Low-E não é vidro acústico
É um erro comum juntar as duas coisas. O Low-E resolve o frio; o vidro acústico assimétrico resolve o ruído, através de folhas de espessura diferente e uma camada laminada. Uma janela pode ter só Low-E, só acústico, ou os dois combinados, dependendo do que a sua casa precisa mais.
- Só frio é o problema? Low-E padrão com árgon já resolve bem, e é a opção mais económica.
- O ruído da rua é o problema? Vale a pena somar vidro acústico assimétrico.
- Os dois? Indicamos a combinação certa e o custo exato na sua estimativa.
Perguntas frequentes sobre vidro Low-E
Não. São tecnologias diferentes que resolvem problemas diferentes. Low-E trata do isolamento térmico (o frio); o vidro acústico assimétrico trata do ruído. Um vidro pode ter as duas coisas ao mesmo tempo, mas são camadas de solução distintas.
O Low-E sozinho já melhora bastante o isolamento. O árgon soma um ganho adicional, sem custo elevado, e por isso é o que instalamos por padrão em vidro duplo.
Não de forma percetível. A película é transparente a olho nu; a diferença está na forma como reflete o calor infravermelho, não na luz visível que entra em casa.
Existem dois processos de fabrico. O hard-coat (pirolítico) é aplicado a alta temperatura durante o fabrico do próprio vidro float, fica quimicamente ligado à superfície. É mais robusto e resistente a manuseamento, mas tem uma emissividade mais alta (isola menos). O soft-coat (deposição catódica ou "sputtered") é aplicado depois, em várias camadas finíssimas, tem emissividade muito mais baixa (isola mais) mas é mais sensível, por isso é sempre montado voltado para dentro da câmara de gás do vidro duplo, nunca exposto. A maioria dos vidros Low-E de alto desempenho usados hoje em janelas eficientes é soft-coat.
As faces contam-se de fora para dentro: face 1 (exterior), face 2 e 3 (as duas voltadas para a câmara de gás), face 4 (interior). O Low-E soft-coat vai quase sempre na face 3, protegido dentro da câmara selada, do lado que fica mais próximo do interior da casa, para refletir o calor interior de volta para dentro no inverno.
Não: são duas medidas diferentes, e é um erro comum confundi-las. O Uw mede a perda de calor por condução (o frio a entrar ou a sair). O fator solar (g ou g-value, medido segundo a norma EN 410) mede a fração de energia solar que atravessa o vidro e aquece a divisão, importa sobretudo no verão, para evitar sobreaquecimento em fachadas muito expostas ao sol. Um bom vidro Low-E pode ter um Uw baixo (isola bem do frio) e, em simultâneo, um g-value ajustado à orientação da fachada, para não deixar entrar calor a mais no verão.
Sim. Com vidro duplo Low-E e árgon, as nossas janelas ficam confortavelmente abaixo do Uw máximo exigido pela zona climática de inverno de Lisboa e Setúbal (2,80 W/m²·°C, zona I1, conforme o DL 101-D/2020 e a Portaria 138-I/2021). A mesma portaria define também limites máximos de fator solar por zona climática de verão (V1/V2/V3), mais exigentes nas zonas mais quentes, ajustamos o vidro à orientação e exposição da sua fachada dentro desses limites.
A própria película, protegida dentro da câmara selada, praticamente não se degrada. O risco real é a falha do selante perimetral da unidade de vidro duplo, se o selo falhar, entra humidade e a unidade embacia entre as folhas (não é reparável, só substituível). É um risco baixo com fabrico de qualidade, mas não nulo, daí a garantia de fábrica sobre a unidade de vidro, distinta da garantia do perfil.
Não necessariamente. Numa fachada norte, o objetivo é maximizar o isolamento térmico (Uw baixo) sem preocupação de sobreaquecimento. Numa fachada sul ou poente muito exposta ao sol, pode compensar um Low-E combinado com controlo solar (g-value mais baixo), para não transformar a divisão numa estufa no verão. Especificamos isto por fachada, não como um vidro único para a casa toda.
Isola mais: um triplo bem especificado pode baixar ainda mais o Ug, mas é mais pesado (exige ferragens e caixilho reforçados), mais caro, e o ganho marginal face a um bom duplo Low-E é menor em climas como o de Lisboa e Setúbal do que em climas de inverno mais rigoroso. Para a maioria das casas na nossa zona de atuação, o duplo Low-E com árgon já cumpre folgadamente o Uw exigido; o triplo raramente compensa o custo extra aqui.
Não. Por estar protegido dentro da câmara selada do vidro duplo, o Low-E nunca entra em contacto direto com produtos de limpeza, limpa-se a face exterior do vidro normalmente, como qualquer janela.
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