Manutenção de janelas de PVC
Uma janela de PVC pede pouco: lavar, desentupir a drenagem e lubrificar as ferragens. O que estraga o perfil quase nunca é a falta de limpeza — é o produto errado.
A rotina mínima
Quatro gestos por ano. Não há mais nada a fazer numa janela de PVC — quem lhe vender uma manutenção anual com contrato está a vender-lhe outra coisa.
Lavar o perfil
Pano macio e água morna. Se estiver muito sujo, um detergente neutro — e depois passar outra vez só com água limpa, para não deixar película. É a única limpeza que o perfil precisa: a superfície do PVC é dura e lisa, não tem poros onde o pó e os esporos se agarrem, e por isso não leva pintura nem verniz como a madeira.
Aspirar o rebaixo e desentupir a drenagem
Com a folha aberta, aspire o canal entre a folha e o aro: acumula pó, restos de plantas e insetos. Aproveite para confirmar que os furos de drenagem na base do aro estão desobstruídos. Se algum estiver entupido, limpe-o com um palito de madeira — nunca com arame ou objeto metálico, que risca o canal e estraga a vedação.
Lubrificar as ferragens
As peças móveis (fechos, tesouras, roldanas) levam óleo ou massa sem ácidos nem resinas, de preferência em spray, que chega aos pontos escondidos. É a diferença entre uma janela que fecha com dois dedos aos 20 anos e outra que precisa de ombro aos 8.
Tratar as borrachas de vedação
As juntas ficam no rebaixo do aro e da folha (e, nos sistemas de junta central, também a meio do perfil e dos dois lados do vidro). Um produto próprio para vedantes mantém-nas flexíveis; uma borracha ressequida deixa de comprimir e é aí que voltam as correntes de ar.
O que nunca usar no perfil
A maior parte dos estragos que vemos em perfis de PVC não vem de descuido: vem de alguém que esfregou com vontade e com o produto errado. O PVC não se repinta, por isso um risco ou uma mancha de solvente ficam para sempre.
Riscam a superfície. O PVC não se repinta: o risco fica, e a partir daí a sujidade agarra-se ali.
Solventes agressivos atacam a superfície do perfil. O estrago pode só aparecer meses depois, quando já ninguém liga uma coisa à outra.
O calor e a pressão deformam a superfície e forçam as juntas de vedação.
São receitas para pintura ou loiça, não para PVC. O fabricante VEKA desaconselha-os expressamente.
Perfis com película de cor ou imitação de madeira pedem produtos diferentes dos perfis brancos lisos. Confirme sempre no que comprar.
Regra que resume tudo: se o produto serve para desentupir, desengordurar forno ou tirar verniz, não serve para a sua janela.
O branco amareleceu: é sujidade ou é o perfil?
É a pergunta mais pesquisada sobre janelas de PVC em Portugal, e a resposta honesta depende de uma coisa que não se vê: o que está dentro do material.
O PVC branco de qualidade leva estabilizadores de ultravioleta à base de dióxido de titânio. São eles que impedem a radiação solar de degradar o material e de o fazer amarelecer — e é por isso que os fabricantes de perfil dão garantias de cor medidas em décadas, não em anos. Um perfil sem esses estabilizadores, ou com pouca quantidade deles, amarelece ao sol e não há produto de limpeza que o traga de volta: a cor mudou no material, não na superfície.
Antes de esfregar com força, faça o teste mais simples que há: passe um pano húmido com detergente neutro num canto discreto do perfil. Se o tom sai, era sujidade. Se não sai, é o perfil, e esfregar mais só vai riscar o que já não tem volta.
É também a razão pela qual a marca do perfil aparece nos nossos orçamentos. Um caixilho barato de origem indefinida custa menos no primeiro dia e distingue-se do bom precisamente aqui, ao oitavo verão.
Casas à beira-mar: o sal muda a conta
Numa casa virada ao mar, o perfil de PVC continua a não ser problema — não corrói com o sal, e é uma das razões pelas quais o recomendamos na costa. O que sofre é o metal: fechos, tesouras e roldanas apanham maresia e gripam anos antes do que apanhariam no interior.
Nas casas onde trabalhamos em Cascais, na vila de Sesimbra e em Colares, a rotina que faz sentido é o dobro da normal: lavar o perfil de três em três meses, para o sal não ficar depositado, e lubrificar as ferragens uma a duas vezes por ano. Em casas de segunda habitação, que passam meses fechadas, o mais prático é fazê-lo na primeira visita da temporada — antes de a janela ficar dura, não depois.
Quando já não é manutenção
Há sintomas que nenhuma rotina resolve, e vale a pena saber distingui-los para não gastar tempo com panos e sprays num problema que é outro:
Continua a entrar ar depois de lubrificar e limpar
→ Vedantes ressequidos (substituem-se) ou caixilho empenado (não se afina)
Névoa entre os dois vidros, que não sai ao limpar
→ A unidade de vidro perdeu a estanquidade: substitui-se o vidro, não o caixilho
Condensação e bolor à volta do vão, mas não no vidro
→ Ponte térmica na ombreira ou na caixa de estore, não é da janela
Se reconhece o primeiro caso, o guia dos sinais para trocar as janelas ajuda a perceber se compensa reparar ou substituir.
Perguntas frequentes
O PVC branco moderno leva estabilizadores de UV (à base de dióxido de titânio) que impedem o amarelecimento. É por isso que os fabricantes de perfil dão garantias de cor de décadas. O que amarelece são perfis sem esses estabilizadores ou com pouca quantidade deles — típico de perfil barato de origem duvidosa — e aí não há limpeza que resolva: o amarelo está no material, não na sujidade. Antes de esfregar com força, faça o teste do pano húmido num canto: se sai, era sujidade; se não sai, é o próprio perfil.
Água morna e um pano macio resolvem 90% dos casos. Para sujidade agarrada, um detergente neutro (pH neutro) ou um produto específico para PVC recomendado pelo fabricante do perfil. Depois, passar com água limpa. O que interessa não é a marca, é o que o produto não tem: nada abrasivo e nada de solventes.
Deve limpar logo. A VEKA identifica o protetor solar e o pó de adubo mineral como duas substâncias que podem alterar a superfície do perfil de forma permanente se ficarem lá muito tempo. Lavadas no próprio dia, não deixam marca — é dos poucos casos em que a pressa importa numa janela de PVC.
Na faixa costeira, o sal deposita-se no perfil e sobretudo nas ferragens. Nas casas viradas ao mar — a nossa experiência é em Cascais, Sesimbra e Colares — faz sentido duplicar a rotina: lavar o perfil de três em três meses e lubrificar as ferragens uma a duas vezes por ano. O PVC não corrói com o sal (é uma das razões por que o recomendamos na costa), mas o metal das ferragens corrói.
Pode, e é uma reparação barata quando o resto do caixilho está direito e as ferragens funcionam. Resolve bem a corrente de ar pontual. Não resolve frio por vidro simples nem um caixilho empenado — nesses casos é adiar, não reparar. O <a href="/guias/sinais-para-trocar-janelas/">guia dos sinais</a> ajuda a distinguir os dois casos.
Muitas vezes sim, e um spray nas peças móveis resolve. Se depois de lubrificar continuar dura, ou se a folha roçar no aro, o problema é de afinação: as ferragens têm parafusos de regulação que compensam a folga e o assentamento natural do caixilho. É trabalho de minutos para quem tem a chave certa e sabe onde mexer.
Não. Se a névoa está entre as duas folhas de vidro e não sai ao limpar, a unidade de vidro perdeu a estanquidade e o gás isolante saiu. Não é sujidade e não é reparável: substitui-se a unidade de vidro, muitas vezes sem mexer no caixilho.
Um perfil de qualidade dura na ordem dos 40 a 50 anos, e as ferragens são a parte que mais agradece a lubrificação anual. Sem manutenção nenhuma a janela não cai — vai é ficando dura, a vedar pior e a deixar passar ar muito antes do fim da vida útil do material.
A janela já não fecha como antes?
Afinação, vedantes ou substituição — dizemos qual é o caso antes de lhe vender o mais caro.